Quando a necessidade de ser independente bate mais cedo à porta, os filhos são obrigados a deixar suas casas e suas famílias para morar em outras cidades, estados ou até outros países Consiste em uma mudança de comportamento muito forte, pois os filhos sempre estão ali, de baixo das asas dos pais, e de repente, saem dessa proteção que sempre tiveram. Cuidar da casa, pagar contas, dividir as tarefas e as responsabilidades do lar são alguns dos desafios. Tarefas essas que, talvez antes, nunca tenham feito.
A universitária Mileyd Tofoli, 19, que há seis meses deixou a casa de seus pais para dividir um apartamento com sua melhor amiga, diz que a saudade de casa e se adaptar a nova vida de lavar, cozinhar e cuidar das tarefas domésticas ainda é um desafio. “Se adaptar sem meus pais ainda é bem difícil, porque eu sou muito ligada a eles, eu era dependente deles pra tudo e hoje eu preciso me virar sozinha, isso me fez amadurecer muito”, afirma Mileyd .
Diferente do estudante de direito Rafael Fraga, 19, que já mora longe de seus pais a mais de um ano. O futuro advogado diz que não enfrentou muitas dificuldades, a alimentação pouco saudável é o único desafio que enfrentou e enfrenta até hoje. Ficar longe de seus pais não foi um problema. “Sempre viajei muito, isso me ajudou a me adaptar sem os meus pais”, afirma o universitário.
Para a psicóloga Paula Brant toda essa mudança que o jovem sofre ao sair de casa é completamente saudável! O que não é saudável é a forma com que muitos pais educam e disciplinam os filhos, criando verdadeiros “vegetais”, onde não pensam ou agem sem o consentimento deles, não têm autonomia, privacidade, liberdade de expressão e capacidade de, pelo menos, buscarem resolver sozinhos seus próprios problemas e dificuldades.
Essa mudança que o jovem sofre ao sair de sua casa inclui um processo de maturação ou crescimento subjetivo e afetivo que independe da idade. “Percebo que nas famílias onde os laços afetivos e relacionais são marcados pela compreensão e responsabilização dos jovens em assumir suas escolhas, refletir suas decisões e trabalhar sua autonomia, há uma maior facilidade desses em garantirem uma saída de casa mais saudável e segura”, afirma à psicóloga.
Intercâmbio
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| Juliana Wyatt |
Muitos jovens optam por sair da cidade de origem em busca de trabalho, estudo ou novos horizontes, deixando seus pais, sua casa, seus amigos. O intercâmbio virou febre entre os jovens, que vão para outro país a procura de conhecer novas culturas e aprender novas línguas.
A universitária Juliana Wyatt aos 16 anos fez intercâmbio para a Nova Zelândia onde morou por seis meses. Por não saber o inglês fluente, a estudante passou por algumas dificuldades, como não conseguir se comunicar com as pessoas e até se perder em outra cidade. “O intercâmbio foi a melhor coisa que já fiz em minha vida, se tivesse outra oportunidade, faria com certeza”, afirma Waytt.
Laís Ferolla, 19, que atualmente esta morando em Vancouver, no Canadá, diz que seus pais não aceitaram muito bem essa ideia de ir morar fora durante um ano. Laís sempre teve o apoio de sua mãe, seu pai também também apoia esse sonho, mais ainda não se acostumou com a ideia da filha morar tão longe. A estudante que volta para o Brasil em Dezembro, diz que futuramente pretende fazer outro intercâmbio.
O distanciamento dos filhos é um processo pelo qual todos os pais passam, mais cedo ou mais tarde. Nem sempre é fácil habituar-se em ter a casa vazia. Mas esses pais descobrem a alegria de ver seus filhos seguirem o próprio caminho em busca da felicidade. E esses filhos , descobrem que podem seguir suas vidas, mesmo longe daqueles que sempre tiverem todo o cuidado do mundo com eles.




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